TECNOLOGIA PARA BAIXO CARBONO: UMA NOVA ABORDAGEM PARA O FUTURO DO PLANETA

Notícias por RSS Compartilhar no Facebook Postado por Brümmer Advocacia, em 30/12/2010, às 08:12, na categoria Meio Ambiente

Enquanto as negociações sobre uma política internacional de redução de emissões caminham a passos lentos, as consequências do aquecimento global continuam a afetar diferentes regiões do globo, e, diante da Conferência das Partes (COP 16), o mundo deve se atentar ao papel dos governos, indústrias e sociedade no combate às mudanças do clima. É preciso um esforço em conjunto de todos stakeholders, e apenas políticas não serão suficientes para resolver este conflito em longo prazo; a constante busca pela inovação tecnológica pode ser a resposta que todos esperamos para garantir o futuro do planeta como o conhecemos.

As discussões sobre mudanças climáticas vêm aumentando a temperatura nos últimos anos. As grandes expectativas criadas em torno da última Conferência das Partes (COP 15), que ocorreu em Copenhagen em 2009, resultou na intensa cobrança por políticas de redução de emissões concreta às nações com maior número de emissões de GEE, com destaque para os Estados Unidos e China. Outros importantes atores, como o Brasil, Austrália e Japão vêm trabalhando no estabelecimento de metas voluntárias, e buscam fortalecer e estabilizar o mercado de carbono em seus territórios.

Embora se concorde sobre a importância das políticas internacionais na luta contra o efeito estufa, as polêmicas criadas em torno das metas propostas, e o receio dos setores industrial e energético ao embarcar numa economia de baixo carbono, ainda garantem resultados pouco expressivos em prol da manutenção do clima, mesmo para atingir a meta de reduzir 5% das emissões (com base em 1990) estabelecida pelo Protocolo de Quioto.
Para resumir o cenário em que nos encontramos, vale a pena relembrar os dados do último relatório do Painel Internacional de Mudanças Globais do Clima (IPCC), que aponta um aumento de 70% nas emissões de CO2 entre o período de 1970 e 2004. Consequentemente ao aumento das emissões, há uma intensificação da temperatura da Terra, que já é 5% maior do que há cinquenta anos.

O aquecimento global é responsável pelo aumento do gradiente de temperatura da Terra, ou seja, a variação brusca do clima, que tem como decorrências corroboradas a mudança no padrão de chuvas, causando enchentes e secas, alterações na temperatura da superfície marinha, trazendo prejuízos a ecossistemas aquáticos, derretimento das geleiras polares, entre outras sequelas.

O estudo do IPCC relaciona a participação dos principais setores da economia nas emissões de gases do efeito estufa, atribuindo 26% das emissões ao setor energético, 20% ao setor industrial, 13% às atividades agropastoris, 18% ao desmatamento, e 8 % a prédios residenciais e comerciais.

Todavia, ainda há chance de nos adaptarmos e mitigarmos as emissões de CO2 e manter um desenvolvimento sustentável. O IPCC menciona que é possível reduzirmos em torno de 6 (seis) GT de carbono até 2030, valor que estabilizaria as emissões mundiais. De acordo com os dados avaliados, 60% desta meta pode ser atingida pelos setores industrial e de energia. O relatório também ressalta que o padrão de vida da sociedade atual é responsável por potencializar as emissões de gases de efeito estufa (GEE), e que a sua conscientização e a busca por diferentes produtos e serviços terão papel importante em uma economia de baixo carbono.

Em 2009, a Agência Internacional de Energia (IEA) publicou um cenário com previsões de gases de efeito estufa estabilizados em 450 ppm; esta situação seria alcançada por meio da implementação das políticas de redução de emissões propostas até 2008. As previsões da IEA mostram nitidamente a diminuição do padrão de emissões dos setores energético, constatando o arrefecimento de cerca de 3 (três ) GT de CO2; e industrial, com abatimento de aproximadamente 0,8 GT de CO2. São informações positivas, contudo, ainda aquém ao potencial que ambos os setores podem representar na estabilização das emissões.

O World Resource Institute afirma que os estudos concernentes à mitigação das mudanças climáticas em longo prazo ratificam que o desenvolvimento tecnológico será crucial para o fortalecimento da economia e conclusão das políticas do clima. Embora a combinação ideal destas duas importantes vertentes pareça uma meta distante, os riscos e barreiras aos quais está submetido o setor industrial e energético devem ser vistos como a principal oportunidade de crescimento e pioneirismo.

Em 2008, economistas do Keyo Journals of Economy também avaliaram possíveis cenários de estabilização de emissões, com a finalidade de diminuir 6GT de CO2 na atmosfera até 2030. O artigo “Technology Innovation and Climate Change Policy: an overview of issues and options”, de Michael Grubb, focou os pontos fortes das políticas globais que balizam uma economia de baixo, bem como nas probabilidades de afirmação de novas tecnologias que garantem o desenvolvimento sustentável dos países.

Os resultados são similares a um relatório de 2010 do Departamento de Energia dos EUA, que afirma que a inovação tecnológica terá grande repercussão através de Pesquisa e Desenvolvimento nas seguintes áreas: veículos elétricos, seqüestro geológico de carbono, produção de hidrogênio, geração de energia eólica, solar geotérmica e nuclear. Trata-se de tecnologias viáveis atualmente e que têm o potencial de alterar drástica e positivamente o padrão de consumo de energia mundial.

Além disso, cientistas apostam alto em protótipos que possam potencializar a redução e remoção de GEE na atmosfera, como é o caso do cultivo de microalgas para produção do biodiesel, ou da bactéria sintética e de capaz de absorver CO2, assim como um novo material cerâmico que poder ser utilizado em chaminés de aciarias e outras indústrias potencialmente poluidoras. As opções parecem infinitas quando usamos a criatividade humana.

Existem custos, no entanto, para realizar estas importantes modificações. Para o Banco Mundial, a mitigação das emissões pode requerer de 75 a 100 bilhões de dólares por ano. Ainda assim, com o planejamento adequado, a adoção de tecnologias de baixo carbono pode ter uma redução nos gastos à medida que vão amadurecendo. De acordo com Michael Grubb, as principais tecnologias têm um custo que varia entre 5-7 centavos de dólares por kW.

Economistas prevêem que os custos mais baixos se dão em dois cenários; o primeiro considerando o Business as Usual, sem alteração das fontes de energia e dos padrões industriais; o segundo, com a adaptação total para tecnologias de baixo carbono. O cenário intermediário, onde há combinação entre tecnologias de alto e baixo carbono tem os maiores custos para a economia mundial.

Mas todas estas respostas podem não ser o bastante. Cabe destacarmos um dos elos de fundamental importância na luta contra o aquecimento global, a sociedade. E eis então o principal desafio que vem pela frente: Como o setor industrial e energético será capaz de inovar para que o indivíduo tenha a possibilidade de reduzir as emissões em suas residências? E mais importante ainda, como fazer com que os consumidores dêem preferência para os modelos que têm efetiva contribuição para a manutenção do meio ambiente?

Garantir que a sociedade tome consciência das implicações de um padrão de consumo que demanda cada vez mais energia, e conseqüentemente, maior concentração de GEE na atmosfera é uma tarefa árdua. Não obstante, a indústria pode acelerar esta nova concepção ao desenvolver e priorizar produtos que diminuam a emissão de carbono na atmosfera.

A harmonia entre as políticas internacionais de redução de emissão, a conscientização da sociedade, e a promoção de tecnologias que acompanhem os anseios das metas globais é o caminho para uma economia de baixo carbono, sem desprezar o almejado crescimento socioeconômico dos países. Seja a fim de nos adaptarmos, ou com o intuito mitigarmos os efeitos adversos das mudanças climáticas, não podemos medir esforços e criatividade. Devemos assumir uma posição estratégica e enérgica em tempo, enquanto ainda o temos.

*Ernesto Cavasin Neto e Heloisa Garcia
são especialistas em sustentabilidade empresarial e mudanças climáticas da PwC Brasil.

**Esta matéria é parte integrante da revista Plurale, edição 20, de dezembro de 2010. Para conhecer acesse http://www.plurale.com.br/index.php. Para assinar acesse http://www.plurale.com.br/assinaturas.php.

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