‘RASCUNHO ZERO DA RIO+20 DEVERIA SER RASCUNHO -5’, DIZ GREENPEACE

Notícias por RSS Compartilhar no Facebook Postado por Brümmer Advocacia, em 23/03/2012, às 15:03, na categoria Direito Ambiental,Diversos,Meio Ambiente

Em visita a Manaus para participar do Fórum Mundial de Sustentabilidade, nesta quinta-feira, o diretor internacional do Greenpeace, Kumi Naidoo, falou ao G1 sobre a preparação do país e da ONG para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre em junho no Rio de Janeiro.

O sul-africano, que comanda a organização há três anos, criticou a falta de agilidade nas negociações ambientais. Ele também apontou falhas no ‘Rascunho Zero’, documento que noteará as discussões na Rio+20.

Para Kumi Naidoo, o ‘Rascunho Zero’ é vago. “Eu acho que este ‘Rascunho Zero’ deveria ser chamado de ‘Rascunho Menos Cinco’. Faltam muitos pontos, como abordagem maior sobre a Amazônia, e o documento não reflete o nível de urgência para atender às ameaças que os cientistas identificam”, disse.

Negociações
O diretor do Greenpeace criticou ainda os responsáveis pelas negociações ambientais. “Infelizmente, os negociadores, tanto do documento da Rio+20 quanto das discussões de mudanças climáticas em geral, sofrem de uma doença com dois aspectos: parece que todos têm um problema de audição, e eu não estou falando sobre ouvir o que organizações como o Greenpeace dizem, mas sobre o que os cientistas dizem”, afirmou.

“Nós já seguimos a ciência com tantas coisas — como se deve usar um cinto de segurança, quanto se pode beber antes de dirigir, ter que usar preservativo antes de relações sexuais para prevenção de Aids. Ninguém duvida do que os estudos dizem sobre isso, mas na ciência climática tudo isso é negado. Outro problema que os negociadores apresentam é de dissonância cognitiva, ou seja, as informações estão lá, os passos estão lá, mas eles não conseguem internalizar isso e responder a esta necessidade”, completou Naidoo.

Rio+20
Ainda sobre a Rio+20, Naidoo pediu agilidade para adaptações à proposta de discussão apresentada. “Ainda temos mais alguns meses antes da Rio+20 e eu peço aos representantes de governo que estão negociando o ‘Rascunho Zero’ que internalizem no documento o nível de urgência e a ambição que os desafios planetários apresentam para a sociedade”.

Parece que todos têm um problema de audição. E eu não estou falando sobre ouvir o que organizações como o Greenpeace dizem, mas sobre o que os cientistas dizem” Kumi Naidoo

Sobre o acordo realizado em 2011 em Durban, na África do Sul, que prevê a assinatura de documentos propondo a redução da emissão de CO2 em 2015 e que deve entrar em vigor a partir de 2020, Kumi Naidoo afirmou que falta urgência nos processos.

“Não temos tempo para esperar este prazo. (…) Eles têm todos os fatos em mãos, mas o tempo está acabando e eles continuam a acreditar que nós temos um tempo que não temos, e isto já está afetando a realidade de moradores de pequenas ilhas em lugares como Bangladesh (…). Eu classificaria estas datas como uma irresponsabilidade da parte de líderes políticos”, ressaltou.

De acordo com o diretor do Greenpeace, a mensagem mais importante que ele pretende levar aos empresários presentes no Fórum Mundial de Sustentabilidade é a urgência. “Eles não podem pensar só no hoje e esquecer do amanhã. Vou falar sobre isso”, concluiu.

Fonte: G1

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