CAMPANHA CONTRA O DESMATAMENTO PERCORRE LITORAL BRASILEIRO

Notícias por RSS Compartilhar no Facebook Postado por Brümmer Advocacia, em 23/05/2012, às 10:05, na categoria Direito Ambiental,Diversos,Legislação,Meio Ambiente

Depois de conseguir o apoio do governo amapaense, a tripulação do Rainbow Warrior – o navio de campanhas do Greenpeace – segue navegando pelo litoral brasileiro em busca de assinaturas para emergir um projeto de lei de iniciativa popular que aborte a devastação florestal no país. Neste sábado, a  famosa embarcação atracou na capital paraense, Belém, onde a organização ambientalista ficou até o domingo, para tentar o mesmo feito no Amapá: amparo do Executivo estadual.

Semana passada, no dia seguinte à aprovação do polêmico texto do Novo Código Florestal pela Câmara Federal, a campanha “Desmatamento Zero” teve a sua primeira adesão política de peso. Após uma rodada de discussões sobre os danos da nova lei, a bordo do Rainbow Warrior, assinalaram a petição para o projeto do Greenpeace o governador do Amapá, Camilo Capiberibe, os senadores João Capiberibe e Randolfe Rodrigues e as deputadas Janete Capiberibe e Cristina Almeida (federal e estadual, respectivamente), entre outras autoridades gestoras do governo.

Durante o evento, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) divulgou dados preliminares da pesquisa que mostra os iminentes impactos do Código recém-aprovado no Congresso. Segundo o estudo, o Amapá possui apenas 1,2% de seu território desmatado. Com as brechas abertas pela nova lei, num período de apenas dois anos, esse número quadruplicaria, chegando a 5%.

“Com mais de 95% de seu território preservado, o Amapá é um grande exemplo da feliz união entre desenvolvimento econômico e conservação florestal. Estamos aqui para mostrar a Amazônia que prospera com projetos baseados na floresta. A lei do Desmatamento Zero vem como uma alternativa ao desastroso Código Florestal aprovado no Congresso, que impacta diretamente esse estado”, disse o diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil, Paulo Adário, antes das assinaturas dos políticos amapaenses.

Na ocasião do sonoro “não” ao desmatamento, o governador Camilo ressaltou que o novo Código Florestal atenta contra o Amapá porque seu texto permite que estados que possuam mais de 65% de seu território em áreas protegidas – caso das terras amapaenses, cujos 72% do território estão divididos entre Terras Indígenas e Unidades de Conservação -, possam ter suas Reservas Legais reduzidas em 50%.

“Nossa adesão a essa campanha é o recado ao Planalto de que os amapaenses não querem ouvir motosserras roncando em nossas florestas”, disse o governador.

Bailique encanta ambientalistas

O Rainbow Warrior esteve em Belém, onde ficou domingo, e depois seguiu para outras cidades litorâneas em busca de assinaturas para o projeto de lei agora apoiado pelo povo do Amapá. Mas, antes de chegar à capital paraense, a tripulação fez uma parada em um paraíso ecológico banhado por doces águas amapaenses: o Arquipélago do Bailique, a 160 km do litoral macapaense. Além da beleza das florestas nativas, as iniciativas sustentáveis bem sucedidas, exemplos de que a economia florestal dá certo, encantaram os ambientalistas.

Entre as aplicações de sustentabilidade experimentadas nas oito ilhas e suas 32 comunidade, a que mais saltou aos olhos foi a Vila Progresso, onde seus 4 mil moradores vivem em uma economia baseada na pesca e no extrativismo, principalmente de açaí. É lá que está o maior potencial de desenvolvimento do arquipélago, a Escola Bosque. Criada em 1998, na gestão do então governador João Capiberibe – hoje senador -, a proposta era proporcionar aos alunos um método de ensino socioambiental, adequado à realidade local.

Porém, no período de 2003 a 2010, o plano inicial foi abandonado e a escola seguiu os rumos do ensino tradicional. A atual administração tenta resgatá-lo.

“Os alunos de hoje não têm a mesma visão de quem começou aqui e acompanhou o início de tudo. Eu entrei em 1999 e concluí o ensino médio aqui. Sei como era. Nos últimos anos, muita coisa deixou de existir, como a feira de ciências, por exemplo. Nosso objetivo como gestores é resgatar esse modelo. Temos um projeto de horta comunitária e outras atividades ligadas à valorização da floresta, como conscientização sobre a utilização de tintas e corantes naturais, sementes, etc”, explicou a diretora da Escola Bosque, Silvani Silva, aos membros do Greenpeace e equipes de jornalismo que acompanhavam a visita.

A diretora do Instituto Estadual de Florestas (IEF) do Amapá, Ana Euler, que acompanhou os visitantes, explicou que a ideia de desenvolvimento no Bailique é diferente do modelo predatório de alguns lugares na Amazônia.

“As pessoas aqui querem aumentar seus lucros, mas mantendo a floresta em pé. Elas querem o futuro com o uso da renda que vem da floresta. São mais de 50 mil hectares de floresta que proporcionam uma grande gama de recursos naturais, e eles sabem aproveitar isso”.

Os ambientalistas consideraram o modelo implantado no Arquipélago do Bailique um exemplo para a Amazônia e para fora dela. “Vendo as iniciativas da Vila Progresso, percebemos que as crianças são de fato a esperança da comunidade na manutenção de um modelo de desenvolvimento sustentável”, disse Paulo Adário, do Greenpeace.

Os professores da Escola Bosque apoiaram a proposta de lei do Desmatamento Zero e assinaram a petição. Já os alunos deixaram seu recado para a presidente Dilma Rousseff – que poderá vetar ou sancionar o Código aprovado no Congresso -, e escreveram mensagens num enorme banner, que será entregue na conferência Rio +20, em junho. Um dos recados trazia a mensagem “A natureza não tem cópia, devemos preservar a original”.

Fonte: Elder de Abreu/IEF

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